Domingo, Novembro 07, 2004

Liberdade

Estava uma noite fria mas agradável, daquelas pelas quais nos deixamos apaixonar. Na lareira, a lenha em chamas aquecia-nos de forma agradável, sensual.
Ele emprestou-me o seu longo camisolão bege, aquele que lhe dá um ar irresistível... Passou-me um copo de bourbon e uma cigarrilha das minhas preferidas. Fechei os olhos e desejei congelar este momento para sempre.
Durante muito tempo não trocámos palavras, eram desnecessárias e estavam desgastadas pela rotina. Não, em vez disso, olhámo-nos incansavelmente, interrompidos apenas por um novo trago de vinho.
Lá fora, o sol despertava para mais um dia, marcando os primeiros contornos da paisagem. Dirigiu-se para a janela e lá permaneceu; juntei-me a ele pouco depois. Sorriu-me e recolheu-me debaixo dos seus braços longos, perguntando-me: "Incrível, não?". E era, de facto... A vista compunha-se de várias cores, de pequenas montanhas encobertas pela neblina matinal.
Apesar do frio, saí para a rua. Fi-lo sem pressas. Porque, apesar de os seus sentimentos serem fortes e genuínos, os meus precisavam de soltar as suas asas e voar.