Sexta-feira, Novembro 12, 2004

A ti

Entraste sorrateiramente... Não bateste à porta. Costumo mantê-la fechada mas, nesse dia, estava apenas encostada embora por puro esquecimento.
Foste subindo os degraus lentamente, de forma despercebida. Ultrapassaste todas as barreiras que coloquei nesse caminho, sem que me desse conta que avançavas muito para além do que teria permitido...
A tua simplicidade deixou-me inebriada e dancei contigo até ao amanhecer, esquecendo as mágoas passadas e os receios que me prendiam. Demos as mãos em gesto de harmonia, recolhi das tuas palavras os meus efémeros momentos de felicidade, deste-me de beber pelos teus beijos doces, sorri nos teus lábios e gritei ao mundo, agradecendo-te.
Entraste sorrateiramente... A chave estava propositadamente na porta. Desta vez, esperei-te junto à janela. Os teus olhos reflectiam o luar que iluminava os nossos rostos nus. Disseste-me que sim. Tocaste-me.
Venceste...