Máscara
Não havia indecisão. O baú estava repleto de máscaras, aquelas que usava no dia-a-dia, para esconder os seus sentimentos dos olhos de quem temia. Sabia que era o seu ar feliz, o seu sorriso de porcelana, que cativava o mundo.
Bastava pôr aquela máscara e o feitiço era lançado: todos olhavam para si e deixavam-se encantar com os contornos doces e suaves dos seus lábios, quando expressava um riso leve e tímido. Era aquela maldita máscara que expelia o encantamento.
Procurou em vão por um exemplar diferente, por uma máscara que mostrasse o que realmente sentia. Nada. Apenas pedaços de sorrisos esfarrapados, destruídos...
Recusou-se a fingir, por um dia. Vagueou incógnita, acompanhada por si própria. Jantou consigo e dançou agarrada aos seus ombros. Abraçou-se.
E os outros? Ninguém a reconheceu.
O seu rosto não existia.
Mas ela existia em carne e alma, assim como no seu amâgo aqueles sentimentos também respiravam, navegando pelas suas veias como uma falua desnorteada.
Por hoje, apenas por hoje, ninguém a havia de reconhecer.
O seu rosto existia, para si.
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